Home ❱ Blog

Coletar dado do CLP sem parar a linha de produção

Toda planta que roda com CLP já tem o dado de produção dentro do controlador: início e fim de ciclo, contagem de peças, estado de cada equipamento, alarme ativo. O problema não costuma ser gerar o dado, é tirar esse dado de dentro do CLP sem interferir na lógica que já está rodando a máquina, e sem exigir uma parada de linha que a maioria das plantas de processo contínuo (turno de alimentício e frigorífico incluído) simplesmente não tem disponível.

Por que alterar a lógica do CLP é o caminho errado

A forma mais direta, e mais arriscada, de tirar dado de um CLP é editar o programa que já está rodando para adicionar rotinas de comunicação ou registradores extras. Isso expõe a máquina a regressão: qualquer alteração na lógica de controle, mesmo pequena, tem potencial de afetar o comportamento da máquina em produção, e validar essa alteração com segurança normalmente exige parada da linha, algo que planta de processo contínuo evita ao máximo.

O caminho tecnicamente correto é ler o dado pelo protocolo de comunicação nativo do próprio controlador, sem tocar na lógica de controle. Um controlador Allen-Bradley/Rockwell expõe seus dados via Ethernet/IP; um controlador Siemens via PROFINET; equipamentos mais antigos ou de outros fabricantes, via Modbus serial ou TCP. Em todos os casos, a leitura acontece de fora, como um cliente adicional consultando os registradores que o CLP já disponibiliza, sem escrever nada de volta na lógica de produção. O CLP continua rodando exatamente o programa que já rodava; o sistema de coleta apenas observa.

O que dá para extrair sem tocar na máquina

Com esse tipo de leitura, os indicadores que alimentam OEE (Overall Equipment Effectiveness) e controle de produção passam a ser calculados a partir de dado real do controlador, não de apontamento manual de operador:

  • Tempo de máquina parada, e a causa associada a cada parada
  • Produção por máquina e por hora, direto da contagem que o CLP já mantém
  • Início e fim de cada processo produtivo
  • Eficiência de cada máquina ao longo do turno
  • Rastreabilidade do processo, ciclo a ciclo
  • Alarmes, status de equipamento e controle de turno, com alerta automático por e-mail quando um indicador sai da faixa esperada

Onde esse tipo de leitura já foi aplicado

A Sadhas desenvolveu supervisórios que leem diretamente de controladores em produção, sem alterar a lógica de máquina, em plantas de alimentício e frigorífico. Na Ferreira International, em Três Rios/RJ, o supervisório da linha Jack Link’s cobre o retrofit de 11 estufas de cozimento, lendo de controlador CompactLogix 1769-L16ER via protocolo ABCIP, com IHM PanelView Plus 7 e histórico de produção em SQL Express. Na JBS/Seara de Dourados/MS, o supervisório da linha de apresuntado integra 9 tanques de cozimento e 9 de resfriamento a partir de um CPU Siemens S7-1500 com ET200SP, usando protocolo MPROT, com IHM SIMATIC KTP900 Basic e supervisório Elipse E3. Em ambos os casos, a leitura de dado convive com a lógica de produção original do CLP, sem substituí-la.

A plataforma própria de coleta da Sadhas, chamada CID (Coleta Inteligente de Dados), é construída sobre esse mesmo princípio: um gateway que fala LoRa, Wi-Fi, Ethernet/IP, Modbus e serial ao mesmo tempo, conectando diretamente ao controlador de cada máquina, com servidor próprio e dashboard web e mobile para acompanhar o resultado.

Rede industrial e supervisório entram na mesma arquitetura

A leitura por protocolo nativo depende de a rede industrial da planta estar mapeada e acessível: Ethernet/IP, PROFINET e Modbus convivem com frequência na mesma fábrica, cada um ligado a controladores de fabricantes diferentes, e o sistema de coleta precisa falar todos eles ao mesmo tempo, sem exigir que a planta padronize numa única rede antes de começar. É por isso que o gateway de coleta funciona como ponto único de tradução entre protocolos: ele lê cada controlador na linguagem nativa dele e entrega o dado consolidado para o supervisório ou para o dashboard, sem que a planta precise trocar equipamento só para ser lida.

O supervisório, construído em plataforma como o Elipse E3, é a camada que transforma o dado bruto lido do CLP em tela de acompanhamento, histórico de produção e alarme visível para o operador. O histórico gravado em banco de dados, como SQL Express, é o que permite depois cruzar tempo de parada, causa de parada e produção por turno ao longo de semanas ou meses, não só olhar o estado instantâneo da máquina.

Segmentos onde esse tipo de coleta é mais crítico

Plantas de processo contínuo, como frigorífico e alimentício, têm janela de parada programada limitada, geralmente concentrada em manutenção preventiva já agendada. Nesses segmentos, qualquer projeto de coleta de dado que dependa de parar a linha para ser implantado compete diretamente com produção, o que costuma adiar o projeto indefinidamente. A leitura por protocolo nativo, que não exige parada, é o que viabiliza implantar coleta de dado em planta que já está rodando em regime contínuo, sem esperar a próxima grande parada de manutenção para começar.

O papel da engenharia de campo na implantação

Ler dado de um controlador em produção, sem interferir na lógica de controle, exige mapear primeiro a topologia de rede da planta: quais controladores existem, em qual protocolo cada um fala, e quais registradores ou blocos de dados dentro de cada CLP contêm a informação de produção relevante. Esse levantamento é trabalho de engenharia de campo, geralmente feito com o controlador já rodando, sem necessidade de interromper a produção para inspecionar a rede. Só depois desse mapeamento é que o gateway de coleta é configurado para ler exatamente os pontos de dado identificados, e não uma varredura genérica de tudo o que o controlador expõe, o que reduziria tráfego desnecessário na rede industrial e o risco de sobrecarregar uma rede que já está dedicada a rodar a produção em tempo real.

Comissionamento sem impacto na produção

A etapa de comissionamento de um sistema de coleta que lê por protocolo nativo também não exige parada de linha: o gateway é conectado à rede industrial existente, a leitura é validada comparando o valor lido com o valor observado diretamente na IHM da máquina, e o histórico começa a ser gravado a partir desse ponto. Se a leitura de um ponto específico não confere, o ajuste acontece na configuração do gateway, não na lógica do CLP, o que mantém a máquina fora de qualquer risco de regressão durante todo o processo de implantação, do levantamento inicial até a entrega do dashboard funcionando.

O que perguntar antes de contratar um sistema de coleta

Para quem avalia proposta de coleta de dado de chão de fábrica, a pergunta que separa uma solução segura de uma arriscada é: a leitura acontece por protocolo nativo do controlador, sem alteração da lógica de produção, ou o fornecedor precisa reprogramar o CLP para expor o dado? A primeira opção não exige parada de linha para ser implantada, nem coloca em risco a lógica que já está validada e rodando; a segunda, normalmente exige as duas coisas, e é por isso que costuma ficar parada na fila de projetos de uma planta que não tem folga de parada disponível.

Faça um orçamento

Tire suas dúvidas

Entre em Contato

Não perca mais tempo, sua empresa precisa do nosso apoio profissional.

Prefere um contato mais rápido?
Clique no botão abaixo